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A fragilidade do Brasil e a instabilidade internacional

A fragilidade do Brasil e a instabilidade internacional

Os últimos acontecimentos mostraram a fragilidade da economia brasileira frente a qualquer movimento internacional. A alta do valor do barril de petróleo, que acumula aumento de 50% em menos de ano, trouxe consequências graves para os negócios no Brasil.

 

Paralisação dos caminhoneiros motivada pela política de preços da Petrobrás, que repassa automaticamente o aumento internacional para o mercado interno, trouxe prejuízos sem precedentes e fez o dólar atingir maior alta do ano, chegando a R$ 3,76, com a queda do presidente da Petrobrás. No entanto como chegamos neste cenário? Quais impactos diretos e indiretos na economia brasileira?

 

A greve dos caminhoneiros mostrou ao Brasil as consequências da alta dependência do transporte rodoviário. Estima-se que cerca de 60% de toda mercadoria produzida pelo país circule pelas estradas. Assim, qualquer instabilidade no mercado internacional do petróleo, tem consequências graves por aqui. Tal fato ainda não havia sido sentido graças a antiga política de preços da Petrobrás, que segurava as altas internacionais, causando prejuízo para a companhia.

 

Mas, com o escândalo de corrupção dentro da empresa, aliado ao estrago causado pela política de preços, a Petrobrás quase quebrou em 2015 e só voltou a ser lucrativa com as mudanças implantadas por Pedro Parente, como a política de preços, que repassa as altas internacionais para o mercado interno. E a primeira alta do mercado após a mudança, provocou a revolta dos caminhoneiros, que pararam o país para evitar que diminuíssem ainda mais a margem de lucro do frete, que já é justa. E as consequências? Cada um de nós já sentiu no bolso. Seja pagando por combustível e alimentos mais caros, seja pela oneração da folha de pagamento para alguns setores.

 

E a alta do dólar, onde entra nesse contexto?

 

Para iniciar a conversa, o maior valor do ano foi atingido com o anúncio da demissão de Pedro Parente, presidente da Petrobrás. A saída do executivo que recuperou a companhia, uma das mais lucrativas do país, causou desconfiança no mercado, principalmente sobre as dúvidas em relação a continuidade das políticas de preço. A incerteza de solidez da Petrobrás diminui o volume de investidores no Brasil, pressionando a alta do dólar. Mas isso não é tudo!

 

Há muito não se via a economia norte-americana em tão expansivo crescimento, além da taxa de desemprego estar em queda, o que faz com que o governo se veja obrigado a aumentar a taxa básica de juros, mas como isso influencia o Brasil? Pois bem, a alta dos juros norte-americano faz com que investidores com capital aplicado no Brasil retirem seus recursos do país e invistam em títulos do Tesouro Norte-Americano, fazendo com que o dólar se valorize em relação ao real.

 

Outrossim, não há como não mencionar a ostensiva política externa do presidente Norte-Americano, Donald Trump, o que já explica por si só a instabilidade do mercado financeiro. O fim do acordo nuclear com o Irã, por exemplo, ocasionou alta do preço do petróleo o que, por óbvio, atinge o dólar.

 

Outro fator profundamente relevante são as eleições, em outubro, que afetam diretamente a alta do dólar, consoante Alex Agostini, "as primeiras pesquisas eleitorais revelam que os candidatos que aparecem na frente teriam uma postura menos ortodoxa na economia, uma postura de ruptura na gestão atual da política monetária e isso gera sim uma preocupação. O Brasil atraiu muitos investidores nos últimos anos, mas aí muitos acabam optando por sair, mesmo que tenha boa oportunidade de ganho, porque ele prefere proteger seu ativo a arriscar para ganhar alguma coisa".

 

Diante deste panorama, no dia 18 de maio, o Banco Central anunciou que ofertaria mais 15 mil contratos de "swap cambial": "os swaps são contratos para troca de riscos: o BC oferece um contrato de venda de dólares, mas não entrega a moeda. No vencimento desses contratos, o investidor se compromete a pagar uma taxa de juros sobre o valor deles e recebe do BC a variação do dólar no mesmo período"[1]. Com isso espera-se que até o fim de maio a importância negociada chegue a US$ 6,5 bilhões.

 

Nesta seara importante destacar que também existem pontos extremamente positivos a serem destacados. Por exemplo, importadores comprarão no Brasil visando pagar mais barato, gerando assim aumento nos empregos. Além disso, há claro aumento no turismo, o que acaba por introduzir dinheiro na economia nacional.

 

Em suma, insta salientar que quaisquer conjecturas seriam pueris, contudo, especialistas creem que o dólar tende a aumentar ainda mais nos próximos tempos. Agostini afirma também que "não se enxerga no curtíssimo prazo uma mudança dessa postura do Trump no comércio exterior e dificilmente a economia Norte-Americana terá uma reversão fazendo com que a taxa de juros do país caia. Nesse sentido, o dólar pode chegar na semana que vem a R$ 3,80 ou mais".

 

Todavia, não é preciso pânico, o cenário atual, embora pareça, não é tão ruim opina Zeina Latif, "nos últimos 12 meses, o comércio mundial cresceu 5%. Antes da crise econômica, crescia 7% e 8%, não é muito diferente. Comércio crescendo significa investimento crescendo. A inflação, no mundo, apesar do petróleo, está contida. São fatores que ajudam a digerir as questões geopolíticas. Trump conseguiu fazer um estrago, mas a tendência [é] de ir acalmando [com o tempo]".

 

Internacionalmente, a situação pode não ser tão perigosa. E o mercado interno, como irá reagir a tantas pressões? Temos mais alguns meses de governo Temer pela frente com o desafio de manter o país estável. Mas, essa não será uma tarefa fácil. Depois de amargar uma crise sem precedentes, agora enfrentamos prejuízo histórico causado pela paralisação dos caminhoneiros. O mercado ainda faz a conta para saber o que perdeu, mas os especialistas já afirmaram que levaremos tempo para recuperar tudo o que foi perdido.

 

 

Luise dos Santos Mattioti, Advogada no Pires e Gonçalves Advogados

 

 



[1] https://g1.globo.com/economia/noticia/com-alta-do-dolar-banco-central-anuncia-aumento-na-venda-da-moeda-no-mercado-futuro.ghtml

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