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Blockchain e Black Friday: banco de dados viável ou inviável?

Blockchain e Black Friday: banco de dados viável ou inviável?

Nesse texto da série “Blockchain, devo utilizá-lo em meu negócio?”, trazemos como pano de fundo datas comerciais com grande volume de vendas, como a Black Friday e o Natal, respondendo à seguinte indagação: existe a possibilidade da utilização do Blockchain como banco de dados para disponibilizar segurança exponencial para as empresas e consumidores a respeito do preço?

Em novembro de 2010, foi introduzida no mercado brasileiro a Black Friday, data onde as maiores empresas varejistas disponibilizavam descontos nunca vistos antes, com o objetivo de exponencialmente aumentar suas vendas, abrindo a temporada de presentes para o Natal.

Ocorre que, com a euforia desse fenômeno e o aumento gradativos dos adeptos, inúmeras soluções e problemas surgiram, sendo o principal deles, a questão de comparação de preços entre as empresas durante a Black Friday e real apresentação de descontos imperdíveis durante esse período.

Nos últimos quatro anos tivemos um aumento significativo de ocorrências onde o consumidor alega que diversas empresas aumentam de forma desproporcional os preços antes da Black Friday para reduzi-los com uma falsa sensação de desconto, sendo esse fenômeno conhecido como “tudo pela metade do dobro”. Dessa forma, a maquiagem de preços figura como a principal queixa dessa data, com 14% das reclamações.

Felizmente, novas soluções de tecnologia crescem exponencialmente, podendo trazer uma solução eficaz e transparente para as empresas que não participam de práticas predatórias como essa. Nesse sentido, o Blockchain poderia ser a principal ferramenta para demonstrar transparência e precisão nas informações aos consumidores e ao mesmo tempo blindando o mercado contra jogadores desleais.

O Blockchain permite o registro de informações de forma imutável, segura e transparente, atuando como um excelente banco de dados para evitar as fraudes na Black Friday e em grandes vendas. Buscando solucionar esse fenômeno, um conglomerado de grandes varejistas poderia criar um Blockchain privado para registrar mensalmente os preços e informações acerca dos produtos que serão ofertados na Black Friday, possibilitando que todo e qualquer consumidor que tenha interesse em um produto possa visualizar, comparar e analisar o histórico de valores dos produtos no decorrer do ano.

Nesse caso, as empresas poderiam registrar as informações, sendo validadas pelos demais varejistas e assim registrar no Blockchain, sem qualquer possibilidade de alteração. Além da possibilidade de consulta pelos consumidores, possibilitaria que os órgãos reguladores pudessem efetivamente evitar fraudes durante a Black Friday, trazendo uma proteção maior para os consumidores.

Essa ideia parece excelente e obviamente inovadora para o mercado, porém, devemos pensar na viabilidade desse projeto, bem como analisar se realmente possui um custo-benefício para as empresas e consumidores que o torne possível.

Vale a pena?

Para todo e qualquer registro no Blockchain é necessário o pagamento de uma quantia baseada, normalmente, no tamanho do documento que será registrado, portanto, quanto menor a quantidade de dados, menor o valor investido.

É aí que mora o perigo e inviabiliza a ideia! Uma empresa varejista possui milhares de produtos à venda, seja em seu e-commerce, quanto em suas lojas físicas, possuindo uma gigantesca variedade de seções, produtos, modelos e formas de pagamento, sendo necessário o registro de uma massiva quantidade de informações como: tipo do produto, nome do produto, fabricante, especificação do produto, valor e forma de pagamento.

Vale ressaltar que será necessário o registro das informações durante o decorrer do ano, elevando a décima segunda potência todas as informações mencionadas anteriormente. Sendo assim, para cada produto seria necessário o registro de 72 tipos de informação, devendo ser calculado e precificado baseado na quantidade de caracteres e tamanho do arquivo a ser registrado.

Dessa forma, a eventual criação de um banco de dados para melhor controle e comparação acerca dos produtos que serão ofertados na Black Friday muitas vezes é financeiramente inviável. Mesmo que possa parecer uma solução evidente para as empresas demonstrar a boa-fé e transparência, tal investimento não apresenta qualquer custo-benefício para as empresas.

É importante destacar que, a utilização do Blockchain vem crescendo exponencialmente no mercado, e que em futuro breve teremos uma desmonetização da ferramenta. A sua utilização em massa irá reduzir os preços de forma drástica, possivelmente viabilizando a criação do banco de dados.

Esse é um dos maiores desafios atuais do mercado: utilizar as novas ferramentas e tecnologias para atender as necessidades da sociedade, ponderando sempre o custo-benefício entre o valor investido e o retorno final da aplicação. Regra básica da administração, mas que pode ser deixada de lado devido a euforia de uma promissora solução. Se na teoria a solução apresentada pode parecer perfeita, sua aplicação e necessidade de investimento, muitas vezes, atrasa ou até inviabiliza projetos e inovações.

Gustavo Maganha de Almeida, sócio no PG Advogados.