Blockchain e mercado de seguros, devo confiar nessa combinação?

Osdesafios que envolvem a aplicação da tecnologia Blockchain são imensos e nessa série, estamos trazendo uma reflexão para tentar entender se a utilização dessa tecnologia em determinados setores da atividade empresarial é viável. Para o presente artigo, utiliza-se como cenário o mercado de seguros, respondendo à seguinte indagação: existe falta de confiança ou interesses conflitantes entre as partes que participam do negócio?
Para tanto, há de se ponderar que dentre as principais matérias-primas que compõem o mercado de seguros, está a informação. Por consequência, dependendo de sua qualidade e confiabilidade, poderá haver desequilíbrio na distribuição dos ônus e bônus entre os contratantes. Isso levará a falta de confiança nos dados lançados no mercado, podendo acirrar e conflitar os interesses dos participantes, gerando custos inoportunos e a demanda por ações mitigatórias às elevações dos encargos suportados pelos envolvidos.
Neste cenário, a utilização da tecnologia do Blockchain revela-se uma grande inovação para a redução de tais encargos, considerando sua própria natureza. A inviolabilidade e inalterabilidade das informações lá registradas, formam uma rede descentralizada (peer-to-peer), que garante aos usuários uma base sólida de dados, com a cronologia de envio, entrega, ciência das notificações e aceites. Ou seja, qualifica e potencializa a interação dos contratantes, aumentando a conexão entre clientes, corretores e seguradoras.
Tais características vão ao encontro das necessidades preeminentes do setor de seguros, que demanda a troca de informações precisas, confiáveis, por meio de canais eficazes e que protejam os dados dos usuários, inclusive contra fraudes.
Considerando as urgências mencionadas, é inquestionável que a qualidade das informações acerca do perfil do segurado, por exemplo, seja fundamental à mensuração do risco do negócio. O tomador do seguro, por sua vez, espera facilidade e agilidade na contratação, cumprimento das ofertas, imutabilidade das regras pactuadas, além da redução do custo contratual. Fatores esses, que se somados, fortalecem a cultura da confiança e melhoram significativamente a experiência do usuário, cada vez mais conectado.
Assim, considerando a progressiva mudança no hábito de consumo, com a crescente digitalização da comunicação, inclusive em negócios, a utilização do Blockchain no mercado de seguros tem o potencial de promover o aumento da confiança entre os contratantes, por meio da qualificação e imutabilidade das informações compartilhadas, racionalizando os meios de produção.
As seguradoras poderão se valer de novos formatos como os Smart Contracts, estratégicos no gerenciamento das apólices, na agilidade da rotina, na melhoria da comunicação, com estabelecimento de políticas de uso claras e ao alcance dos clientes. Tal transformação ampliaria o acesso aos serviços, seja atingindo usuários não cobertos pelas redes tradicionais, seja por meio da oferta de aditivos ao contrato, valendo-se inclusive de smartphones e outras tecnologias como canais de comunicação e contratação.
Não à toa, a troca de e-mails, nem sempre lidos e gerando insegurança na comunicação, deve ceder lugar à instantaneidade da contratação via terminais móveis, que podem assegurar a confiabilidade da solicitação por meio de validações eletrônicas, materializando o consenso entre os contratantes.
Por essas e outras razões, a utilização do Blockchain no mercado de seguros oferece uma gama interminável de vantagens, tanto do ponto de vista da segurança da informação, quanto da racionalização dos meios empregados para viabilização da contratação, eliminando intermediários.
Dessa forma, considerando a urgência do mercado de seguros por instrumentos inovadores, vê-se no Blockchain uma eficaz ferramenta para evolução do setor. O investimento se justifica, uma vez que otimiza o negócio e soluciona os problemas decorrentes da confiança das partes ou das informações veiculadas, com a consequente redução dos interesses conflitantes.
Uma tecnologia como o Blockchain, permitirá a todos os agentes qualificar a prestação de serviços, a promoção de novos negócios, a melhoria da acessibilidade e consequente expansão da abrangência geográfica de atuação e atendimento das seguradoras.
Além de todos esses benefícios, será possível a comercialização de novas espécies e formatos de seguros baseadas no uso real do cliente, assim como no aumento da competitividade dos preços praticados. Tal realidade beneficiaria não apenas o desenvolvimento do mercado de seguros, mas principalmente a satisfação dos usuários, muito mais exigentes, nesse mundo cada vez mais digital.
Douglas dos Santos Ribeiro, sócio do PG Advogados.

