Pular para o conteúdo
PG Advogados
Menu

Mídia | Insight

Conscientizar em Segurança da Informação é Proteger seu Negócio

Conscientizar em Segurança da Informação é Proteger seu Negócio

Toda reflexão e análise de temas relevantes sobre Segurança da Informação devem abordar os componentes fundamentais de redes de informação – pessoas, procedimentos, políticas, hardware, software, dados e redes – sob a perspectiva de proteger a confidencialidade, disponibilidade, integridade, autenticidade e legalidade envolvidas.Por mais que se reforcem os controles de segurança e medidas de proteção que compreendam o grupo de Recursos de Tecnologia da Informação e Comunicação – RTICS (hardware, software, dados e redes), os incidentes tendem a ocorrer pela conhecida fraqueza humana, presente em até 95% dos casos, segundo estudo elaborado pela IBM[^ftn1]. As falhas mais comuns são:

  • Configuração equivocada do sistema;
  • Gestão inadequada de correções (patches);
  • Nomes de usuário e senha padrões, ou, esta última de fácil adivinhação;
  • Perda de laptops e outros dispositivos móveis;
  • Vazamento de informação por digitação equivocada de e-mail; e, o mais significativo comportamento,
  • Clique duplo em anexo de e-mail infectado ou clique em link de internet inseguro.

O componente humano pode sofrer das ameaças digitais e contribuir para a ocorrência de crimes ou atos ilegais, por diversos fatores, dentre eles[^ftn2]:

  • Não estar acostumado com a internet ou ser um usuário recente;
  • Ser uma pessoa ingênua;
  • Ter baixa capacidade de percepção ou estar com esta prejudicada, seja por alguma condição física ou psicológica;
  • Desespero, ganância, carência ou outro distúrbio emocional;
  • Simplesmente estar no lugar errado na hora errada.

Dado que a falha do componente humano é previsível, deve-se reforçar controles de segurança ativos nos dispositivos utilizados para mitigar a exposição a vulnerabilidades, denominados de Endpoint Detection and Response (EDR), cuja tradução é Detecção e Resposta a Incidentes nos Terminais de Acesso, que compreendem varredura em tempo real de vírus, scripts maliciosos, endereços de internet inseguros e potenciais conteúdos falsos em redes sociais.Ter procedimentos e políticas ligadas aos sistemas de informação em conformidade com o Direito Digital, atualizados e bem definidos é pré-requisito para execução das tarefas de organização e produção das empresas, mas, podem não surtir o efeito desejado se abordadas isoladamente.Tomando as possíveis ocorrências acima como desafios a serem superados, temos que a instrução correta e orientação adequada da utilização dos RTICS são essenciais para diminuir o número de incidentes e preservar os ativos intangíveis da empresa e a continuidade de negócios, haja vista estarem diretamente ligadas ao comportamento do usuário.A falsa impressão de que os cuidados com o comportamento terão somente impacto na utilização com fins particulares dos RTICS não se sustenta, uma vez que tarefas corporativas são executadas essencialmente por pessoas e, a maioria dessas contém aspectos similares às particulares. Portanto, direcionar os cuidados e preocupações com a utilização dos RTICS pelas pessoas é proteger todo o sistema.A dependência cada vez maior das redes de informação reflete diretamente no aumento do número de incidentes reportados de forma repetida ao longo dos anos pelas empresas especializadas, merecendo destaque o registro dos sequestros de dados (ransomware). Os casos envolvendo esses ataques cresceram 113% de 2013 para 2014, com alta sensível no último quadrimestre [^ftn3]. Adicionalmente, o phishing direcionado cresceu 43% nas empresas com mais de 2.500 trabalhadores [^ftn4] e os arquivos .doc ficaram em primeiro lugar entre as ameaças detectadas, com 38,7% das ocorrências, superando o .exe, que teve 22,6% desta modalidade de phishing[^ftn5].É importante destacar que a conscientização deve ter como premissa a existência inevitável de vulnerabilidades, e por isso, as orientações não podem limitar-se a eventos ou práticas isoladas, devendo ser executadas de modo abrangente. Esse trabalho precisa objetivar a detecção tanto das vulnerabilidades não identificadas pelos usuários como daquelas que geraram dúvidas, e que resultaram em escolhas erradas por parte desses usuários, para que as medidas de prevenção e orientação fossem aplicadas caso a caso.A precaução é similar às vacinas, devem ser aplicadas periodicamente para não perderem a eficácia, especialmente ante ao dinamismo na evolução e sofisticação dos ataques de hackers mal intencionados, para não terem suas investidas de comprometimento de segurança descobertas.Para terem sucesso, é indispensável que as campanhas de conscientização estejam em sintonia com o cenário tecnológico atual, já prevendo as próximas possíveis ameaças, traçando pontos comuns em todas elas e o elemento de engenharia social que pode ser parte a porta de entrada de um ataque massivo.Devemos lembrar que o cenário econômico que passamos não é dos mais otimistas, então, a ocorrência de qualquer prejuízo decorrente de incidente de Segurança da Informação pode ser ainda mais sensível.Então, recomenda-se programar campanhas de conscientização como prioridade para os setores de Segurança da Informação, Recursos Humanos, Compliance, Marketing, Financeiro e Jurídico, cuja preocupação com produtividade será complementada pela sensível diminuição de perdas, gerando maior retorno de investimentos para a empresa.Referências bibliográficas:[^ftn1]: IBM. IBM Security Services 2014 Cyber Security Intelligence Index. Disponível em < http://media.scmagazine.com/documents/82/ibm_cyber_security_intelligenc_20450.pdf>, acesso em 25 out 2015[^ftn2]: CROSS, Michael. In Scene of the Cybercrime Edition: Second Edition. Elsevier, 2008: Ipswich, Estados Unidos, p. 555-596.[^ftn3]: SYMANTEC. Internet Security Threat Report vol. 20. Disponível em https://www4.symantec.com/mktginfo/whitepaper/ISTR/21347932_GA-internet-security-threat-report-volume-20-2015-social_v2.pdf, Acesso em 25 out 2015, p. 94[^ftn4]: SYMANTEC, op. cit., p. 71.[^ftn5]: Idem, p. 76.Sobre o autor: Victor Auilo Haikal, é sócio do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, advogado especialista em Direito Digital e Master of Science em Segurança Cibernética pela University of Maryland University College.