PPP News: De Olho no Mercado


A recorrência de ataques cibernéticos está deixando cada vez mais evidente a necessidade do trabalho preventivo e de blindagem digital das empresas na atual realidade tecnológica. Neste mês, a #PPPNews entrevistou a advogada Gabriela Alves Guimarães, sócia da Syard, que atua na área de compliance, e tem experiência no gerenciamento de risco e reputação corporativa, na condução de investigações, avaliação de integridade de terceiros (due diligence), elaboração de Código de Conduta e políticas complementares.
1 - Na última semana, a ocorrência de um grande ataque hacker deixou usuários, autoridades e governos de todo o mundo em alerta. O que a SYARD, consultoria que auxilia os tomadores de decisão a enfrentar e mitigar riscos, indicaria ser indispensável para proteger os ativos, a reputação corporativa em situações como essas?Gabriela: Para a SYARD a ampliação dos sistemas de governança e compliance é essencial, além da dedicação de esforços à revisão dos requisitos mínimos de gestão operacional. No caso, observou-se que muitos usuários Windows não atualizaram o sistema e acabaram vulneráveis aos ataques.
Como parte do referido sistema, o gerenciamento em tempo real de um Programa de Inteligência de Ameaça e de Compartilhamento de Informações (Real-time threat-intelligence and information-sharing Program) é pertinente, pois permitirá que a organização faça a interconexão entre múltiplos sistemas de modo a relacionar, analisar e contextualizar as informações de variadas fontes, apontando potenciais ameaças e permitindo, como efeito, uma abordagem preventiva ao invés de reativa.2 - No atual cenário de intensa competição e mudança constante no mercado, quais as falhas que a SYARD apontaria como as que mais prejudicam as empresas?Gabriela: Acreditamos que a principal falha é a dedicação desproporcional de recursos (financeiro e de pessoal qualificado) às ações preventivas. Pouco se aplica em medidas preventivas, pois, pela nossa cultura, as empresas ainda atuam de forma imediatista (vislumbram lucro imediato e não a longevidade do negócio) ou reativa (apenas reagem quando surge o problema).3 - Como a SYARD enxerga a nova área do Direito Digital nesse trabalho de prevenção, identificação e constatação de irregularidades como meio de favorecer a boa gestão e a efetividade operacional das empresas?Gabriela: No atual mundo conectado, a área de Direito Digital é indispensável, independente do porte da empresa. Além disso, as empresas devem buscar a integração do arcabouço de governança e compliance, uma vez que, também, cuida do principal ativo corporativo, que é a reputação.4 - O crescimento sustentável das companhias ainda é uma realidade muito distante no nosso país? Por quê?Gabriela: Distante, porém não impossível. Os últimos casos noticiados pela mídia, não só os relativos aos cybercrimes, demonstram que, em um mundo globalizado e interconectado, as empresas precisam rever seus modelos de negócio, a fim de preservar sua atratividade para investidores, clientes/consumidores finais, parceiros de negócios e comerciais.
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