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Mídia | Insight

PUBLICOU, CURTIU, COMPARTILHOU: ESTÁ DEMITIDO!

PUBLICOU, CURTIU, COMPARTILHOU: ESTÁ DEMITIDO!

Atualmente, vivemos uma realidade em que nossa vida profissional está cada vez mais atrelada à convivência nas mídias sociais.Ao mesmo tempo que possibilitaram uma grande facilidade de interação entre as pessoas, servindo, até mesmo, como poderosa fonte de contatos profissionais, essas mídias levaram a uma superexposição de seus usuários.O fato de possibilitar a publicação de um conteúdo sem que, para isso, seja necessário um contato físico com a situação, proporciona ao usuário a falsa impressão de privacidade e afastamento, o que lhe confere coragem para a prática de atos que, fora do mundo virtual, poderia não se arriscar a externar.E não restam dúvidas que, uma vez publicado na rede, todo e qualquer conteúdo poderá ser visualizado por um grande número de pessoas, estando sujeito a ser por elas compartilhado e divulgado, ocasionando a perda do controle sobre esse conteúdo por quem o publicou.Isso, aliado ao fato de que a maioria dos usuários dessas mídias utiliza um único perfil para a realização de suas interações, misturando contatos e conteúdos pessoais e profissionais, torna o ambiente das mídias sociais um meio propício a eventos que poderão prejudicar o usuário em sua vida profissional.Dessa forma, cabe ao usuário fazer um uso prudente dessas mídias, ciente de que suas atitudes ali externadas podem oferecer um reflexo direito em seu ambiente de trabalho.Dadas essas observações, pergunta-se: é possível que um usuário mantenha a convivência pacífica de contatos e publicações de cunho pessoal e profissional nas mídias sociais?Logicamente, para que se tenha uma maior privacidade profissional e controle sobre o conteúdo publicado nas mídias sociais, o ideal é que o usuário mantenha perfis diferentes para cada finalidade: um direcionado a questões pessoais e outro a questões profissionais.Existe, inclusive, uma tendência mundial de criação de redes sociais específicas, direcionada a um determinado público profissional, em resposta à crescente necessidade de preservação da privacidade dos profissionais, bem como pelo aumento de casos de incidentes envolvendo questões profissionais e as mídias sociais.Como o caso ocorrido em maio do corrente ano, quando foi veiculada nos meios de comunicação uma imagem dos apresentadores Luciano Huck e Angélica recebendo atendimento em um hospital, no Mato Grosso do Sul.O uso da referida imagem sem qualquer autorização prévia dos apresentadores, que se encontravam na condição de pacientes, ocasionou sua exposição em um ato que guarda sigilo médico, o que trouxe sérias consequências àqueles que deram causa ao seu registro e divulgação, tendo sido instaurada uma sindicância pela Santa Casa de Campo Grande para apuração do caso, que pode resultar em uma advertência ou, até mesmo, na demissão dos funcionários.Ademais, destacamos que é importante adotar uma postura de reflexão antes da realização de qualquer publicação nas mídias sociais, mesmo quando esta for realizada em um perfil de uso exclusivamente pessoal.Isso porque o usuário deve se atentar ao fato de que aquela publicação será vista por amigos, familiares ou, até mesmo, desconhecidos, que poderão interpretá-la de diversas formas e isso, inevitavelmente, refletirá em sua imagem pessoal e profissional.É o que pode ser verificado no caso ocorrido em fevereiro do corrente ano, quando uma jovem publicou uma mensagem em seu Twitter sobre sua falta de entusiasmo em começar em um novo trabalho.Seguida no Twitter por um funcionário de seu futuro local de trabalho, a mensagem foi por ele visualizada e levada ao conhecimento do gerente da unidade, que demitiu a jovem, também via Twitter.1*Em tradução livre "Aff, começo nessa ***** de emprego amanhã", "E...não, você não começará nessa ***** de trabalho hoje! Eu acabo de te demitir! Boa sorte com sua vida sem dinheiro e sem trabalho!" e "Fui demitida pelo Twitter".*A situação em questão ilustra perfeitamente a falta de reflexão de um usuário acerca das consequências geradas por uma publicação realizada em uma mídia social na qual se compartilham contatos pessoais e profissionais.Cuidado e reflexão são recomendáveis para todo e qualquer uso das mídias sociais. A diferença é que, caso seu perfil esteja vinculado a contatos tanto pessoais quanto profissionais, recomenda-se cuidado e reflexão redobrados antes da interação, publicação e compartilhamento de qualquer conteúdo.Ademais, pontua-se que o profissional deverá ter especial cautela e prudência ao interagir, no ambiente das mídias sociais, com pessoas de seu convívio profissional.Essa interação deverá atender, preferencialmente, aos interesses de seu ambiente profissional, sendo observadas as suas finalidades e interesses, as questões éticas, de privacidade e os limites particulares a cada profissão.A exemplo da relação vivenciada no ambiente escolar. O documentário "uma escola entre redes sociais"[^ftn1] trouxe, em 2013, a discussão sobre a utilização da rede social "Facebook" e interações, nessa plataforma, entre professores e alunos do ensino médio do Colégio Estadual Brigadeiro Schoert, no Rio de Janeiro.O documentário, resultado da pesquisa "Redes Sociais na Escola", realizada pelo Observatório Jovem, da Universidade Federal Fluminense, traz a exposição do ambiente das mídias sociais como um canal de aproximação entre alunos e professores, permitindo que o docente conheça um perfil que o aluno não demonstra em sala de aula, o que se aproximaria dos resultados trazidos por uma interação extracurricular, servindo como um estímulo ao processo de aprendizado.Logicamente, as mídias sociais são uma poderosa ferramenta de interação entre professores e alunos, servindo como estímulo ao aprendizado. Contudo, essa relação deverá ser mantida com cautela e prudência.Isso porque o excesso de intimidade entre alunos e professores pode, até mesmo, prejudicar o processo pedagógico, sendo complicado para uma criança diferenciar a figura profissional de seu professor daquela figura pessoal que passou a conhecer nas mídias sociais.Dessa forma, é fundamental que a Escola estabeleça diretrizes a serem mantidas nas interações entre professores e alunos nessas mídias, de forma que o vínculo aluno-professor observe sempre a finalidade educacional, sendo recomendável, para que o docente preserve sua privacidade, a manutenção de um perfil pessoal separado daquele no qual realizará interações de cunho profissional.Ainda nesse cenário de interação, importante atentar-se para o fato de que o descuido ou má conduta de um profissional no uso das mídias sociais poderá ocasionar a divulgação de informações sigilosas de seu local de trabalho, refletindo em um impacto negativo, tanto na figura do empregado quando de seu empregador.A exemplo do acontecido no mês de junho do corrente ano, quando funcionários da clínica onde ocorreu a preparação do corpo do cantor sertanejo Cristiano Araújo divulgaram fotos e vídeo do corpo do cantor durante os procedimentos de tanatopraxia.Além do incidente ter gerado forte abalo à imagem profissional da clínica, os funcionários foram penalizados com a demissão por justa causa e indiciados pelo crime de vilipêndio de cadáver.Nesse sentido também é o caso ocorrido no mês de maio do corrente ano, quando um funcionário da NET, após a realização de um atendimento via telefone, adicionou e abordou uma cliente no WhatsApp. Além da abordagem invasiva do funcionário, este ainda revelou à cliente que possui acesso a dados sigilosos de todos os clientes da empresa.A NET apresentou nota, informando que identificou o funcionário responsável pelo ato e providenciou seu desligamento dos quadros da empresa. Ademais, a empresa registrou boletim de ocorrência, para que o caso seja devidamente apurado na esfera criminal.2Esse cenário chama a atenção não só para a falta de cuidado, ética e profissionalismo do funcionário no trato com um cliente de seu empregador, mas também para a figura da empresa e a importância de conscientização dos empregados para um uso ético e seguro das mídias sociais.Tão importante quanto estabelecer políticas de uso para mídias sociais no ambiente de trabalho e manter uma política de segurança da informação sempre atualizada é empenhar-se na conscientização dos funcionários quanto ao uso adequado das mídias sociais relacionadas ao ambiente de trabalho, especificando limites e regras e conferindo diretrizes, a fim de se evitar a ocorrência de situações problema.Nesse sentido, sendo a interação dos empregados com as mídias sociais dentro do ambiente de trabalho uma flagrante realidade, é de fundamental importância que as empresas observem seus cenários e meçam seus riscos, adotando sempre uma postura preventiva quanto à conscientização de seus funcionários.Entretanto, importante lembrar que eventuais restrições quanto ao uso de mídias sociais impostas aos empregados deverão ser razoáveis e ter direta relação com as funções por ele desempenhadas.Usuário, faça um uso consciente de seus perfis nas mídias sociais! Reflita atentamente antes de publicar, compartilhar ou interagir com qualquer conteúdo e, sendo um usuário que realiza publicações frequentes e expositivas, considere a criação de um perfil pessoal desvinculado de seu perfil profissional.Empregador, incentive o uso ético e seguro das mídias sociais em seu ambiente de trabalho! A interação saudável de seus funcionários com esse ambiente traz reflexos diretos em sua imagem e no relacionamento com os seus clientes.Assim, é possível usufruir desse riquíssimo canal de relacionamento no ambiente de trabalho, preservando-se pessoal e profissionalmente.[^ftn1]: Disponível em https://www.youtube.com/watch?t=1232&v=vP2o472pjNs, acessado em 03/05/2015 às 14h35.Sobre a autora:2Aline de Almeida e Oliveira, advogada, OAB/SP nº 346424, formada pela Universidade Federal de Goiás. Pós-graduada em Advocacia Trabalhista pela Universidade Anhanguera – Uniderp. Pós-graduanda em Propriedade Intelectual e Novos Negócios pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Concluiu de forma satisfatória o Curso Geral de Propriedade Intelectual oferecido pelo Centro de eLearning da WIPO. Concluiu de forma satisfatória o curso Law and the Entrepreneur pela plataforma Coursera, em parceria com a Northwestern University.